Trails School – unidade Sumaré
Projeto indicado como Obra do Ano pelo portal Archdaily Brasil em 2025
Projeto indicado ao 2º Prêmio Projeto de Arquitetura, promovido pela Revista Projeto, em setembro de 2025
Palavras-chave: arquitetura escolar; arquitetura sustentável, estrutura metálica, construção industrializada, school architecture; educational design; arquitectura escolar; diseño educativo; sustainable architecture; green building; arquitectura sostenible; construcción ecológica; industrialized construction; construcción industrializada.
o palacete do Sumaré
O Palacete da Rua Alfonso Bovero se tornou, ao longo dos anos, uma lenda no bairro do Sumaré. Construído pelos irmãos Karman, como um dos primeiros investimentos imobiliários da família no bairro, a construção incorporava diversas facilidades incomuns para à época, como sistema de calefação central, água quente na cozinha (além dos banheiros) e um mirante em forma de torre circular, que permitia uma vista de quase 360° do território, local que possibilitava avistar o vale onde corria o Córrego do Sumaré, onde hoje se localiza a Av. Sumaré, e parte do vale por onde corria o Córrego Verde I, que ladeava o bairro da Vila Madalena. Um desaguava no Rio Tietê e outro no Rio Pinheiros.
O projeto foi publicado na Revista Acrópole, nº 54, em outubro de 1942, uma das mais importantes na área de Arquitetura, Urbanismo e Construção do país.
A casa, que aparenta ter tido mais de um dono, em determinado momento foi alugada por um grupo escolar tradicional do bairro, que fez diversas modificações físicas, algumas irreparáveis. A construção foi ampliada à exaustão para atender as necessidades escolares, como a criação de mais salas, pátio livre para recreações e uma quadra poliesportiva coberta. Praticamente, quase todo o lote foi ocupado.
Porém, uma das intervenções mais agressivas foi o ocultamento total de sua arquitetura, por outdoors e tapumes que levavam a comunicação colorida da escola. Não se podia ver nada do antigo palacete, cuja localização foi caindo no esquecimento dos moradores do bairro.
Em 2021 o imóvel ficou vago e outro grupo escolar, também tradicional no bairro, decidiu alugar e ocupar a antiga escola para implantar o programa de ensino fundamental I, pois possuíam apenas o berçário e o programa de educação infantil (pré-escola). A decisão teve como base a ideia de que, para adequar as necessidades atuais de acessibilidade e segurança contra incêndio – aparentemente – seria preciso pouco investimento.
Na primeira visita ao local, descobriu-se que ali estava o palacete construído pelos irmãos Karman, que havia ganhado a alcunha de “castelinho da Av. Sumaré” ao longo dos anos, antes de desaparecer sob os tapumes.
O projeto partiu da análise dos espaços, formas e elementos que não haviam sido demolidos e que poderiam ser restaurados. Durante a pesquisa, percebeu-se que, na área externa, somente parte do segundo pavimento e o mirante encontravam-se relativamente em bom estado, preservando o desenho original. Internamente a antiga sala de estar, com as vigas de madeira originais, e a bela escada helicoidal entre o térreo e o 1º pavimento (o trecho entre o 1º pavimento e o mirante havia sido demolido) possuíam condições de restauro. Diante disso, para atender o programa de necessidades, decidiu-se pela criação de novos volumes nas bordas da antiga construção, de forma a revelar os volumes que haviam mantido o desenho original, enquadrando-os.
A materialidade escolhida, estrutura e fechamentos compostos por tubos metálicos de diferentes tamanhos, teve como princípio criar volumes homogêneos que contrastassem com as partes originais restauradas, criando um diálogo entre o passado e o presente.
Foi possível modernizar completamente a escola, dar acessibilidade a todos os níveis, dotá-la da segurança adequada contra incêndio e implantar as mais modernas tecnologias relacionadas ao ensino.
Durante o dia, os portões, ao serem abertos, se incorporam aos volumes e elementos da fachada, fazendo com que sejam imperceptíveis. Durante a noite, os portões se fecham, mantendo a permeabilidade visual para os vestígios do belo palacete da década de 1940.
áreas
Área do terreno: 545,65m²
Área construída: 1.265,94m²
Capacidade total de alunos: 125
ficha técnica
Projeto: Trails School – unidade Sumaré
Local: São Paulo – SP – Brasil
Data do projeto: 2022
Data da conclusão da obra: 2023
Arquitetura e interiores: Erick Vicente e Fábio Burgos
Paisagismo: Fernanda Ruggeri Savietto
Gerenciamento de Obras: Fernando Machado
Estrutura: R.C.M. SERRALHERIA
Mobiliário: Novidário
Fotografias: Manuel Sá
Tour 360°
https://360vila.com/tour/trailsschool/
Publicações
Archdaily Brasil
https://www.archdaily.com.br/br/1015004/escola-trails-school-erick-vicente-plus-fabio-burgos
Revista Projeto
https://revistaprojeto.com.br/acervo/eam-estudio-de-arquitetura-mutavel-trails-school-sao-paulo-sp/
Página @revistaprojeto
https://www.instagram.com/p/C8FwUGuJOys/?img_index=1
Revista AU
https://revistaau.com.br/edicao/344/
Página @ portalpiniweb
https://www.instagram.com/p/C6EOtmtAR_f/
Site São Paulo Antiga
Página @saopauloantiga
https://www.instagram.com/p/C3nQt6ZOojR/?img_index=1
Página @perdizes_digital
https://www.instagram.com/p/Cj7xrKTuSWp/?img_index=1
español
El palacete de la calle Alfonso Bovero se convirtió, a lo largo de los años, en un mito en el barrio de Sumaré. Construido por los hermanos Karman, una de las primeras inversiones inmobiliarias de la familia en el barrio, la casa incorporaba diversas comodidades poco comunes para la época, como sistema de calefacción central, agua caliente en la cocina (además de los baños) y un mirador en forma de torre circular, que permitía una vista de casi 360° del territorio. Desde allí se podía observar el valle del arroyo Sumaré, donde hoy se encuentra la Av. Sumaré, y parte del valle del arroyo Verde I, que corría por los bordes del barrio de Vila Madalena. Uno desembocaba en el río Tietê y el otro en el río Pinheiros.
La mansión fue publicada en la revista Acrópole, nº 54, en octubre de 1942.
La casa, que parece haber tenido más de un propietario, en cierto momento fue alquilada por un grupo escolar tradicional del barrio, que realizó diversas modificaciones físicas y espaciales, algunas irreparables. La construcción fue ampliada al máximo para atender las necesidades escolares, como la creación de más aulas, un patio libre para recreación y una cancha polideportiva cubierta. Prácticamente todo el terreno fue ocupado.
Sin embargo, una de las intervenciones más agresivas fue el ocultamiento total de su arquitectura mediante carteles publicitarios y cercas que mostraban la comunicación visual colorida de la escuela. No se podía ver nada del antiguo palacete, cuya ubicación fue cayendo en el olvido.
En 2021 el inmueble quedó vacío y otro grupo escolar, también tradicional en el barrio, decidió implementar en el lugar el programa de educación primaria (primer ciclo).
Ya en la primera visita, se descubrió que allí se encontraba la mansión construida por los hermanos Karman. La construcción icónica yacía bajo un entramado de hierro y lona.
El proyecto partió del análisis de los espacios, formas y elementos que no habían sido demolidos y que podían ser restaurados. Durante la investigación, se observó que, en el área externa, solo parte del segundo piso y el mirador se encontraban relativamente en buen estado, con condiciones de restauración. En el interior, únicamente uno de los ambientes (la antigua sala de estar) y la hermosa escalera helicoidal entre la planta baja y el primer piso (el tramo entre el primer piso y el mirador había sido demolido) podían recuperarse. Ante esto, se decidió ocupar los espacios libres y reformar las áreas totalmente desfiguradas para adaptar el inmueble a las necesidades de la futura escuela, haciéndola accesible y segura.
La materialidad elegida, con estructura y cerramientos compuestos por tubos metálicos de diferentes tamaños, tiene como principio crear volúmenes homogéneos que, al mismo tiempo, enmarquen y contrasten con las partes originales restauradas, generando un diálogo entre el pasado y el presente.
Fue posible modernizar completamente la escuela, dotarla de accesibilidad en todos los niveles, brindarle la seguridad adecuada contra incendios e implementar las tecnologías más modernas relacionadas con la enseñanza.
Durante el día, los portones permanecen abiertos de modo que no interfieran en la composición formal de los nuevos volúmenes. Durante la noche, los portones se cierran, manteniendo la permeabilidad visual hacia los vestigios del hermoso palacete de la década de 1940.
english
The “Palacete” of Alfonso Bovero Street has become, over the years, a local legend in the Sumaré neighborhood of São Paulo. Built by the Karman brothers as one of the family’s first real estate ventures in the area, the house incorporated several amenities that were uncommon for the time, such as a central heating system, hot water in the kitchen, and a circular tower viewpoint (mirante). This tower offered a nearly 360-degree view of the territory, overlooking the Sumaré Creek valley—where Sumaré Avenue is located today—and the Verde I Creek valley, which bordered the Vila Madalena neighborhood.
The project was originally published in Acrópole Magazine (No. 54) in October 1942.
After several changes in ownership, the house was eventually leased by a traditional local school, which carried out numerous physical and spatial modifications, some of them irreparable. The building was expanded to its limits to meet educational needs—adding classrooms, a playground, and a covered multi-sports court—until almost the entire plot was occupied.
However, the most aggressive intervention was the total concealment of its architecture behind billboards and fences featuring the school’s colorful visual identity. The original “palacete” disappeared from view and was gradually forgotten by the neighborhood.
In 2021, the property became vacant, and another educational group decided to implement an elementary school program on the site. Upon the first visit, it was discovered that the iconic Karman brothers’ building was still there, languishing beneath a tangle of iron and canvas.
the architectural project
The design process began with an analysis of the remaining spaces, forms, and elements that could be restored. Research revealed that, externally, only part of the second floor and the viewpoint remained in relatively good condition. Internally, only the former living room and the elegant helical staircase between the ground and first floors (the section leading to the viewpoint had been demolished) could be salvaged. Consequently, the decision was made to occupy the vacant spaces and renovate the completely altered areas to adapt the building to the new school’s needs, ensuring full accessibility and safety.
The chosen materiality—a structure and cladding system composed of metallic tubes of varying sizes—aims to create homogeneous volumes that simultaneously frame and contrast with the restored original parts, establishing a dialogue between past and present.
The intervention completely modernized the school, providing accessibility to all levels, implementing fire safety standards, and integrating advanced educational technologies.
During the day, the gates remain open in a way that does not interfere with the formal composition of the new volumes. At night, the gates close while maintaining visual permeability to the vestiges of the beautiful 1940s residence.
#arquiteturaescolar #arquiteturasustentavel #estruturametalica #arquiteturacontemporanea #arquiteturabrasileira #aquarelaencantada #aquarelascholl #trailsschool